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Dia da Consciência Negra: aprender com o passado para construir o futuro sem preconceito

“Não sei se estavam lendo meu currículo pra saber da minha formação. Só sei que eu chegava no lugar e as pessoas olhavam pra mim do tipo: ah, acho que não era isso que eu tava esperando. Você se sente pra baixo em muitas situações”.

Este relato é de Johnathas Pinho da Silva, 32 anos, o mais velho entre 7 irmãos, consultor de fidelização da Minuto Seguros. Mas poderia ser a história de muitos outros brasileiros que sentem a diferença de tratamento por conta da cor de sua pele em diversos setores da sociedade e, entre eles, o mercado de trabalho.

Dia da Consciência Negra

Na ocasião, Johnathas havia acabado de chegar em São Paulo, em 2016, por conta de Thamara, sua esposa, a quem conheceu pela internet, ainda nos tempos de Orkut. Formado em administração, estava procurando emprego na área de seguros, na qual já tinha vasta experiência por ter trabalhado por muitos anos em Salvador, na Bahia, na corretora de sua família. Mesmo com toda a bagagem no setor, ele foi chamado para entrevista em apenas três empresas do ramo e, em uma delas, ocorreu o relatado acima. 

A dificuldade maior imposta aos negros no mercado de trabalho é refletida na proporção de pessoas sem emprego no Brasil. De acordo com o estudo “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça” publicado em 2019 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 64% dos desempregados eram pretos ou pardos. Um claro desequilíbrio, já que representam 54% da população brasileira. 

Incluir para diminuir a desigualdade é essencial

Situações como as passada por Johnathas e os números apresentados acima trazem consigo o debate sobre a inclusão da população negra no mercado de trabalho. O consultor da Minuto Seguros acredita que algumas empresas têm começado a agir de forma diferente nesse sentido em relação ao que se via nos últimos anos, embora ainda haja um grande caminho a ser percorrido.

“Antigamente a gente ia num local de altos executivos e não via pessoas negras participando disso. Hoje a gente vê isso com mais frequência. Começou devagarzinho, está acelerando e agora eu acho que é a questão de tempo mesmo, com a evolução de conhecimento, educação e cidadania internamente nas pessoas. Acredito que estamos no meio do processo, mas pior seria se não tivesse iniciado.”, comenta Johnathas.

Colaborador da Minuto desde abril de 2018, Johnathas relata que ao encontrar um ambiente onde há oportunidade para todos, fica satisfeito por saber que terá espaço para a evolução que almeja dentro da empresa. 

 

reconhecimento trabalho

Johnathas Pinho (à direita) com seus supervisores do trabalho em almoço de reconhecimento dos seus resultados, em 2019 

“Quando entrei na Minuto, só estava pensando em manter algo em que me sentisse confortável financeiramente e ter meu espaço como profissional. Mas após 1 ano lá dentro, vi que as ferramentas que a empresa oferece me fizeram evoluir como profissional, e isso me deu vontade para poder subir. Consegui ver oportunidade para isso.”, conta o consultor, que atualmente também cursa MBA em Gestão de Pessoas. 

Apesar de sentir que hoje se faz mais do que no passado para a inclusão de pessoas negras no mercado de trabalho de forma geral, Johnathas crê que muita gente ainda tem uma visão deturpada do que isso significa. “Infelizmente existe um choque de raciocínio entre as pessoas que acham que o fato de haver inclusão de pessoas afrodescendentes significa que elas estão sendo protegidas de uma forma que não deveriam”, diz. 

Influência do período da escravidão

A desigualdade que ainda é muito forte hoje tem suas raízes no passado, o que explica a necessidade de oportunidades serem criadas para quem acaba largando atrás de outras pessoas apenas pelas condições em que nasceu. Johnathas ressalta como o passado terrível que acometeu a população negra influencia na atualidade. 

“A maioria da população é negra e infelizmente nós herdamos algo de séculos atrás em que os negros eram escravos. Não teve uma base no país em que houve negros de diferentes classes sociais. Os afrodescendentes que vieram pra cá começaram literalmente do nada, do mais baixo possível e vieram caminhando em passos muito pequenos. Há menos de 2 séculos a escravidão foi abolida. O que se poderia mudar drasticamente na sociedade de (menos de) 200 anos pra cá? Nada. Realmente os negros foram marginalizados”, explica Johnathas.

Justamente pelo histórico que torna a situação da população negra desfavorável é que o consultor de fidelização da Minuto enxerga a necessidade de haver incentivos que possam equilibrar as chances. 

“Não vai cair do céu uma transformação e fazer com que todos fiquem equilibrados. Tem que existir algo para inserir esses que estão separados, trazer para perto pra que todos juntos possam evoluir. Tem gente que fala que não tem culpa do que fizeram lá atrás, mas eu também não tenho culpa e até hoje isso tem reflexos na minha vida. Então a gente espera que tenha algo pra que todos possam ser incluídos. Não é tomar lugar de ninguém, é ser incluído pra ser parte também”, opina Johnathas. 

Para alcançar a igualdade, Johnathas é categórico. “É preciso ensinar que as pessoas fazem parte de um grupo, de um coletivo, acho que isso é o principal para poder mudar a sociedade. Enquanto não pensarmos em nós, apenas no eu, isso não vai acontecer”.

Importância do Dia da Consciência Negra

Oficializado em 2011, o Dia da Consciência Negra tem um significado particular: simboliza a luta contra o racismo e a desigualdade sofridos pela população negra. Para Johnathas, a principal função da data é relembrar as coisas que aconteceram para que os fatos lamentáveis que marcaram a história não voltem a ocorrer. 

“(O Dia da Consciência Negra) faz a gente lembrar do que ocorreu no passado, quanto o povo negro foi sofrido. O quanto foi massacrado. Não deixar que isso seja esquecido. É algo ruim de ser lembrado, mas que precisa ser lembrado. Pra gente não esquecer do que aconteceu, não repetir isso na história, e as pessoas poderem se conscientizar sobre algo do passado que influencia até hoje a nossa vida e a nossa história. Negros são humanos, todos nós somos humanos”, ressalta. 

“Que o Dia da Consciência Negra possa trazer consciência para as pessoas. De que nós somos apenas iguais. Nem mais e nem menos. Apenas iguais”, finaliza Johnathas.

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